Foi um AVC, daqueles que não avisam, a não ser por via do senso comum. Emanuel Santos comia bem, bebia melhor ainda e fumava dois maços por dia. Andava num stresse constante na ânsia de criar a sua própria empresa, depois de uma vida de ganhos e perdas, estas a começar pela morte do pai e a acabar no emprego. Foi no dia 6 de Novembro do ano passado. Uma madrugada iniciada com um formigueiro e terminada na inércia absoluta, atirado no patamar do apartamento, dedo encostado à tecla verde do telemóvel. À espera que alguém ligasse, porque a ele, ali perdido, os números pareciam hieróglifos. Foi socorrido. Foi diagnosticado. Foi quase desenganado. Não falava, não andava, não escrevia, não lia. Não recuperaria. Recuperou. E decidiu mostrar aos outros como foi, por que foi e como se deve evitar. Nove meses depois, Emanuel Santos faz 40 km de bicicleta por dia, à velocidade de um sobrevivente. E vai levar a mensagem país fora, numa volta ao Portugal dos hospitais. Mete pés aos pedais no dia...